terça-feira, 19 de março de 2013

Chipre, Schäuble e o envolvimento dos dois lados

O ministro das finanças alemão, dizia há pouco que "quem investir o seu dinheiro em países onde paga menos impostos, ou talvez onde seja também menos controlado, assume o risco quando os bancos desse país deixam de ser solventes".
A ideia é simples: em cada acordo, há sempre duas partes. Sendo que ambas estavam cientes do risco à partida, ambas devem contribuir quando esse risco se concretiza. Parece-me uma ideia sensata, tomando em conta as devidas e sensatas proporções. Como alguém dizia, um grande investidor numa conta cipriota tem mais noção do risco que um pensionista cipriota, por exemplo.
Estranho é esta ideia só agora aparecer. No primeiro pacote de "ajuda" à Grécia, na Irlanda, em Portugal, na Espanha e na Itália, as condições impostas faziam recair a responsabilidade exclusivamente sobre os bancos (e por consequência sobre o Estado onde eles se localizam) ou sobre quem emitiu dívida, os Estados soberanos. Apenas no segundo pacote grego, e já depois de um longo período de troca de mãos da dívida grega, é que foi também imposta uma perda aos investidores.
Porque é que Berlim impõe agora este princípio, se o poderia ter sugerido antes? Terá algo a ver com a nacionalidade dos investidores* nos diferentes casos? E porque não se discute esta viragem radical na política europeia sobre a repartição dos encargos?

*No caso grego e espanhol, era sabido que grande parte da dívida privada e soberana era detido por investidores alemães.