quinta-feira, 24 de novembro de 2011

E uma greve geral europeia?

O europeísmo prometeu um «espaço comum europeu». A União Europeia seria uma única comunidade política, democrática e soberana. Criar-se-ia (por geração espontânea?) um demos de novo tipo. À época, os «eurocépticos» duvidaram e foram vilipendiados. Vê-se agora que tinham razão.

Nunca existiu sequer uma agora europeia. Instituições comuns, só mesmo as da UE. Passado partilhado, o das lutas fratricidas e das rivalidades. É difícil, concediam os europeístas, mas diziam que o tempo ou uma crise poderiam finalmente criar um sentir comum.

Passou-se o tempo, e a crise demonstra o contrário: os egoísmos nacionais são mais evidentes do que nunca. E os cidadãos de cada Estado (nem o mais iludido dos europeístas persiste em falar em «cidadãos europeus») viram-se para os governos nacionais.

Num momento em que há intervenções do FMI em três(*) países da UE, e mais dois países em lista de espera, a greve geral de hoje foi apenas nacional. E ninguém estranhou. Porque realmente não faria sentido. Os trabalhadores da Alemanha não farão greve em solidariedade connosco. Nem sequer os da Grécia, desconfio eu.

O europeísmo foi uma ilusão. O acordar pode ser muito mau.

(*) Na realidade são seis. Correcção do Rui Curado Silva na caixa de comentários.