quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ser Amado

Com umas horas de atraso relativamente ao meu post da madrugada, o Diário de Notícias conclui o mesmo do que eu: que Sócrates mentiu ao Parlamento quando negou que houvesse «pedidos» dos EUA para transferir prisioneiros através de Portugal (como bónus, incluem a reprodução da acta parlamentar contendo o diálogo com Louçã em que Sócrates nega o que o telegrama confirmou ser verdade).

Entretanto, o incrível Amado mandou o porta-voz dizer que «nada tem a acrescentar», para logo de seguida martelar a linha de defesa prevista: «manipulação oportunista que deliberadamente pretende estabelecer uma confusão entre repatriamento de detidos e os designados ‘voos da CIA’ que, como é sabido, aludem ao transporte ilegal de suspeitos de terrorismo».

Senhor ministro, detidos ilegais são detidos ilegais. Seja a levá-los para Guantánamo ou a trazê-los, não deixam de ser pessoas ilegalmente detidas. E o seu Primeiro Ministro negou no Parlamento que houvesse «pedidos» para «transferência» de prisioneiros. Agora, o seu porta-voz admite que houve «repatriamentos». Será que o senhor Amado  usa um dicionário diferente do usado pelo PM? Um dicionário muito especial em que um «repatriamento» não é uma «transferência»?

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