quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Bernard Henri-Levy sobre a burca

Artigo descoberto via Jugular (sim!).
  •  «Há quem diga: "A burca é um vestido ou, quando muito, um fato. Não vamos agora criar leis sobre vestuário." Errado: a burca não é um traje. É um ultraje. É uma mensagem que transmite claramente subjugação, subserviência e, em última instância, a aniquilação das mulheres.
  • Outros dizem: "Talvez seja subjugação, mas são usadas com o consentimento de quem as enverga. Não são maridos maliciosos, pais abusadores ou tiranos locais que obrigam as mulheres a usá--las." Isso é tudo muito bonito, mas essa teoria da servidão voluntária nunca colheu como argumento. Um escravo feliz nunca justificou a infâmia essencial, fundamental e ontológica da escravatura. (...)
  • Outros ainda invocam a liberdade religiosa e de consciência, a liberdade de cada um de praticar a religião da sua escolha; como pode alguém proibir os fiéis de venerarem Deus segundo as regras enunciadas nos seus livros sagrados? Mais um sofisma, dado que - e nunca é de mais repeti-lo - usar a burca não corresponde a qualquer preceito do Alcorão. (...)
  • Por fim, quando alguém diz: "Mas afinal de que estamos aqui a falar? Porquê todo este alvoroço por uns poucos milhares, talvez mesmo umas poucas centenas de burcas que existem em todo o território francês? Porquê promulgar uma lei?" Actualmente é esse o argumento preferido e, para alguns, o mais convincente. No entanto, é tão especioso como todos os outros, porque das duas uma: trata-se apenas de um jogo - um atavio, uma máscara, se se quiser - e, nesse caso, a tolerância seria a resposta adequada; ou então estamos a falar de uma ofensa às mulheres, de um golpe na sua dignidade e de um ataque frontal contra a lei fundamental republicana - também conquistada a duras penas - da igualdade entre os sexos. Nesse caso, é uma questão de princípio. E quando se trata de princípios o número de casos é despiciendo. (...) mesmo que só haja uma mulher em França que entre num hospital ou na câmara municipal encerrada numa burca, ela deve ser libertada.» (Ler na íntegra.)