quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Alegre e Nobre: diferenças discursivas

Fernando Nobre (FN) e Manuel Alegre (MA) produziram discursos quase em simultâneo na passada sexta-feira. Enquanto o primeiro fez um discurso de apresentação de candidatura, o segundo continua na disponibilidade, e portanto a comparação não será perfeita. De qualquer modo, vale a pena tentá-la.
  • FN - «Portugueses, Sou candidato a Presidente da República, impulsionado por imperativo moral, de consciência e de cidadania. (...)
  • MA - «Amigos, companheiros e camaradas, Meu caro e querido amigo António Arnaut, Gostaria de vos apertar a todos no mesmo abraço. Estou muito comovido e quero agradecer a todos os que organizaram este jantar. O que se passa aqui hoje, à moda de Coimbra, é cidadania, nada mais que cidadania, pura cidadania (...)
  • FN - Sou democrata, patriota e com particular sensibilidade social e humanística. Tenho orgulho de ser português e, trago bem enraizadas em mim as marcas da multiculturalidade, da lusofonia e de uma profunda mundivivência. (...)
  • MA - Sou um republicano para quem a ética republicana não se funda apenas na lei, mas na consciência e no comportamento. Sou um socialista para quem o socialismo, antes de ser uma ideologia e um projecto de poder, é uma ética e um humanismo. Sou um democrata para quem a democracia deve ser uma vivência transparente e não um jogo obscuro de poder pelo poder. Sou um patriota para quem Portugal não é um sítio, mas uma história, uma língua, uma cultura, uma identidade. (...)



  • FN - O meu espaço político, mais do que definido à esquerda, à direita ou ao centro, é o da liberdade, da justiça social, do humanismo, da ética, da solidariedade, da transparência na vida pública e da adequada, justa e indispensável função redistributiva do Estado, que abranja no que diz respeito aos deveres, e não apenas aos direitos, todos os cidadãos de todas as áreas do território nacional. (...)
  • MA -  Estamos aqui por um ideal democrático, estamos aqui pela esquerda dos valores, estamos aqui por fidelidade ao combate de toda a vida. (...)
  • FN - Não pactuar com a situação trágica da justiça em Portugal. É privilégio e função primeira do Estado a aplicação da justiça, e um Estado que o não faz é um Estado que não tem justificação moral. Defenderei, pois, intransigentemente, a independência da Justiça, mas não aceitarei que o corporativismo, a ineficácia, a irresponsabilidade ou as justificações de circunstância neguem o direito de todos, por igual, à Justiça. (...)
  • MA - É o caso, por exemplo, da promiscuidade entre a justiça, a política e a comunicação social. Quando a Justiça não funciona cai-se no justicialismo. E o justicialismo substitui os tribunais pela praça pública. Sempre que tal acontece é a própria justiça que está em causa. E com ela o Estado de Direito. (...)
  • FN - Portugueses: Todos sabemos que Portugal não é um País rico e que a sua situação económica e financeira é hoje muito difícil. Não existem milagres nem soluções mágicas em tempo recorde. A minha tarefa será a de despertar, motivar e incentivar o espírito de cidadania em cada um dos portugueses: todos temos direitos, e todos temos deveres para com o país. (...)
  • MA - Há princípios constitucionais que consubstanciam o espírito do 25 de Abril e constituem os pilares do Estado de Direito: subordinação do poder económico ao poder político democrático; autonomia e independência da comunicação social; separação do poder político, do poder legislativo e do poder judicial. (...)
  • FN - Viva Portugal!»
  • MA - Viva a República, viva Portugal.»