segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Revista de blogues (25/1/2010)

  1. «Classificar Hugo Chávez de "tirano" é um erro de interpretação. O homem tem muitos defeitos e está a afundar a Venezuela, mas não é um ditador que tome decisões arbitrárias e sanguinárias. E o seu regime não é comunista, embora também não seja um bom exemplo da melhor democracia. O mesmo se pode dizer de Evo Morales, que está a afundar a Bolívia. (...)
    Quando analisam o regime chavista, muitos observadores usam a analogia cubana, que é claramente imprópria. Acho que deviam fazer a comparação com Juan Perón, que afundou a Argentina nos anos 40 e 50. A megalomania de Perón teve um método que lembra o de Chávez: o poder assentou primeiro no controlo das forças armadas, depois no controlo da economia e, finalmente, no controlo da comunicação. A intenção era a mesma: criar uma potência regional.» (Luís Naves)
  2. «José Eduardo dos Santos decidiu fazer-se eleger pelo parlamento, por mais cinco anos, por mais dez anos, troçando da democracia, por uma razão muito simples: porque pode. Porque já nem sequer precisa de fingir que acredita nas virtudes do sistema democrático. Enquanto Angola der dinheiro a ganhar, aos de fora e aos de dentro, e mais aos de fora que aos de dentro, como sempre aconteceu, ninguém o incomodará. Para isso, para que Angola continue a dar dinheiro, exige-se alguma estabilidade social, sim, mas não democracia. Democracia é um luxo.
    (...)
    Aos angolanos resta a esperança de que o crescimento económico possa contribuir para a formação e o regresso de jovens quadros. Estes, juntamente com uma mão-cheia de jornalistas independentes, de activistas cívicos, de militantes de pequenos partidos, todos juntos, talvez consigam criar um amplo movimento social capaz, a médio prazo, de vencer o medo e de transformar Angola numa verdadeira democracia.» (José Eduardo Agualusa)