sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

As verdadeiras feministas queimam burcas

Não sei se se deve proibir o véu integral, mas espanta-me e choca-me que não cause horror e repulsa a todas as feministas europeias.

É provável que a França venha a proibir a burca afegã e o nicabe saudita nos transportes públicos e até nas ruas, invocando razões de segurança e de «identificabilidade», mas não em nome da laicidade, que se aplica à escola estatal (onde se aprende a cidadania) e não aos espaços públicos de circulação e manifestação livre. E se compreendo a proibição, temo que se esteja a ceder a uma provocação calculada.

Porque as burcas não são meros pedaços de pano. São um símbolo e um instrumento de opressão das mulheres. São a bandeira de uma interpretação fundamentalista e ultra-sexista do Islão, que cresceu em países muçulmanos e que pretende afirmar-se (provocando) na Europa. Não são comparáveis à liberdade de usar mini-saia ou de se vestir à moda gótica, pela simples razão de que não existe país nenhum do mundo em que as mulheres sejam atiradas para a prisão ou espancadas na rua por não usarem mini-saia. Quando em França e em Espanha há mulheres agredidas por não usarem véu, quando vemos, em cidades europeias, mulheres caminharem dois passos atrás do marido e de olhos postos no chão, ou quando os casamentos forçados se tornam comuns entre os muçulmanos europeus, há que ter muito cuidado com a defesa da liberdade de ser integrista (que todavia existe).

Evidentemente, existem muçulmanos que repudiam os véus integrais. E devem ser apoiados. Ao contrário da proibição dos minaretes, que atinge todos os muçulmanos sem excepção, «laicizados» ou integristas, proibir véus só atingirá aqueles que rejeitam o laicismo europeu e cospem na liberdade das mulheres.

A solidariedade dos homens e mulheres europeus que prezam a igualdade de direitos entre os sexos deveria estar com as mulheres que no Irão, na Arábia Saudita ou no Afeganistão, são agredidas se não usam o véu. Porque a liberdade sem a igualdade é apenas o direito do mais forte de oprimir o mais fraco.

Espanta-me portanto o que tenho lido nessa barricada do feminismo pós-moderno em que a Jugular se tornou. Os véus não são uma expressão de liberdade, são o seu contrário. E as verdadeiras feministas contemporâneas deviam queimar burcas. Acho eu, que sou homem.