quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Revista de blogues (30/12/2009)

  1.  «Andaram os bispos portugueses 48 anos em paz, sem preocupações com a democracia, com direito a báculo e mitra apenas com autorização de Salazar, indiferentes aos crimes da ditadura e à guerra colonial, e tornaram-se agora os paladinos da democracia directa. Todos os dias saltam prelados a agitar a mitra contra os casamentos homossexuais, a brandir o báculo contra o aborto, a perorar sobre a família, como se disso tivessem alguma experiência. Disparam ave-marias e salve-rainhas contra os “inimigos da moral e dos bons costumes” e, finalmente, exigem um referendo sobre matéria que fez parte da campanha eleitoral e dos conselhos pios aos eleitores para se afastarem de partidos que, na sua pitoresca linguagem, são contra a família.» (Diário Ateísta)
  2. «Bom. Há uma coisa que me indigna nas discussões do casamento homossexual. Várias, aliás, mas uma em especial. Dizem que "ah, mas claro que a igreja tem de se pronunciar sobre o casamento homossexual", "ah, o casamento homossexual vai contra todos os ditâmes aceitáveis numa sociedade", e vejo aí os padres e os bispos indignadíssimos, ainda mais do que eu, a falarem e a gritarem sempre a mesma coisa: que a sociedade tem de ser ouvida e que não houve discussão suficiente. A questão é que eu não estou bem a ver por que razão acham os padres e os bispos que têm de impôr a sua opinião. Cada dia é um novo a falar e cada dia cada um fica mais indignado por não lhe serem dados ouvidos da parte do Governo. Pois bem, sabem porquê, senhores? Porque nós temos no nosso país um princípio a vigorar desde há muitos muitos anos, que se chama princípio da laicidade do Estado ou princípio da separação entre o Estado e a Igreja. Concretizando, sabem o que é que isto quer dizer? Que não interessa nada ao Governo ou à comunidade política em geral (que perceba de Direito) que os padres se oponham todos, todinhos, um por um à aprovação do casamento homossexual. Não estamos a falar de casamento homossexual pela igreja, mas sim de casamento CIVIL!» (When the Sun Goes Down...)