segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A natureza de Louçã



Com os resultados do Bloco de Esquerda, se Francisco Louçã fosse um político responsável nunca o poderíamos ouvir falar em “vitória” ontem. O objectivo de um partido de esquerda responsável seria, retirando a maioria absoluta ao PS, ter mandatos suficientes para conseguir uma maioria em conjunto com este partido. (Para uma coligação ou para um simples acordo parlamentar, depois se veria.) Mas não assim. Excluído que parece estar um acordo com a CDU (a menos que se queira Portugal fora da NATO e da União Europeia), uma maioria de esquerda só me parece possível para propostas “fracturantes” ou em casos pontuais como um imposto sobre as grandes fortunas. A esquerda responsável, por isso, falhou. Mas nada disso parecia importar a Francisco Louçã, que estava mais preocupado com o seu partido do que com a governação do país. Sempre ouvimos falar da “arrogância” de José Sócrates. Após o que ouvimos ontem, será mesmo Sócrates o “arrogante”? A primeira coisa que o líder do Bloco de Esquerda fez, na noite de ontem, foi “exigir” a substituição de Maria de Lurdes Rodrigues sem propor nenhuma contrapartida. Ao ouvi-lo, apeteceu-me que Sócrates descesse ao átrio do Hotel Altis acompanhado da ainda ministra da Educação, anunciando que a manteria no seu cargo se fosse designado primeiro ministro. A verdadeira natureza de Francisco Louçã, escorpião pronto a picar a rã que o poderia ajudar a atravessar o rio, revelou-se aqui. Quem pudesse ter pensado na viabilidade de uma coligação do PS com um partido liderado por este indivíduo terá encontrado aqui a resposta. Enquanto o Bloco não decidir se é um partido de poder ou de protesto, tal não será possível. Mas, para o Bloco ser um partido de poder, terá que ser com outro líder. Neste momento, Francisco Louçã é o maior problema da esquerda portuguesa.