sábado, 25 de julho de 2009

Homofobia & etc.

Hoje estava a ouvir o jornalista Charles Pierce, o homem que escreveu o livro “Idiot America: How Stupidity Became a Virtue in the Land of the Free”, a falar do racismo como um veneno que destrói tudo, conspurca tudo, estupidifica as pessoas, impossibilita-as de pensar e lembrei-me do comentário que um anónino escreveu neste blog, a propósito da candidatura de Miguel Vale de Almeida nas listas do PS.

A homofofia, como o anti-semitismo, ou o racismo, é um ódio sem objectivo, a um grupo de pessoas imaginário, que por ser imaginado pode ser tão mau e tão culpado pelos nossos problemos quanto a imaginação nos permitir.

A homofobia, o anti-semitismo e o racismo são assim formas de demência em que as pessoas aceitam como real um mundo imaginário, em que “os maçons”, ou “os judeus”, ou os “homossexuais” conspiram para dominar o país ou são responsáveis por outras fantasias, sempre mais ou menos infantis (o Hitler adorava livros de cowboys para crianças).

Por isso é importante lembrar constantemente às pessoas, como o pobre de espírito anónimo (com medo de quê?) que escreveu um chorrilho de insultos neste blog, que a homofobia é só isso: uma forma de alienação que simplifica o mundo, divide as pessoas em “bons” e “maus” (como os “cowboys” e os “índios” do Hitler) e que suja, envenena e destrói o mundo em vivemos.

É aliás curioso constatar que aqui no sul dos EUA os racistas gostam de dizer que odeiam todos os negros excepto os negros com quem convivem. Odiar pessoas com base na cor da pele delas, ou na etnia, ou nas preferências sexuais, é uma manifestação de estupidez e falta de educação.

Tudo isto é válido com uma ressalva: a homofobia pode resultar - e resulta frequentemente - de uma sublimação de pulsões homossexuais. Como no célebre caso do pastor evangélico Ted Haggard, o conselheiro espiritual de Bush, violentamente homofóbico, que está farto de ser apanhado na cama com prostitutos. Mas isso é outra história.