quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Em defesa dos direitos dos «anormais»

O cardeal Saraiva Martins diz que «a homossexualidade não é normal». Talvez não seja: é, sem dúvida, extremamente minoritária (5%?). Todavia, Saraiva não se justifica com o número. Diz-nos que é «anormal» porque um livro antigo fala de alguém que criou «homem» e «mulher», sem referência a gueis ou lésbicas. Tudo bem. Eu conheço o livro, e garanto que também nada diz de concreto sobre o celibato sacerdotal. É esse facto suficiente para chamarmos «anormais» aos sacerdotes celibatários?

De qualquer modo, é irrelevante que seja «normal» ou não. As pessoas têm o direito de sairem da norma, desde que isso não prejudique outrém. O Saraiva Martins também deve achar, creio eu, que o casamento entre divorciados, ou entre pessoas estéreis, é «anormal». Mas a questão certa não é essa. As questões certas são outras: prejudica-o? Afecta os seus interesses ou os do conjunto da sociedade? Não? Antes pelo contrário? Então, é bem. O mesmo para os casamentos entre homossexuais.