quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Obama

Vim agora de uma festa da posse do novo presidente. Obama é o líder mais normal, mais culto e mais civilizado do mundo. E as festas da posse dele que a televisão passou foram uma celebração da tolerância, da diversidade e do civismo mais sofisticados do mundo. No discurso inaugural Obama referiu os ateus e deixou claro que a separação entre a igreja e o estado vai ser um facto durante os próximos 4 anos.

Mas o melhor deste dia foram o optimismo e a solidariedade que se sentiram em todas as cerimónias. Os meus amigos cristãos, ateus, judeus e muçulmanos, sentiram o mesmo alívio, a mesma alegria e o mesmo optimismo que eu senti ao ver um presidente que lê livros e gosta de música e viajou por todo o mundo e foi pobre e fazia as compras no supermercado até há poucos meses.

Ver Bush ser vaiadao foi um prazer. Vê-lo ir-se embora, humilhado por uma nação de 300 milhões de habitantes que repudiou o fascismo e a guerra económica, foi um prazer ainda maior. Mas ver um país como este acreditar num futuro melhor, apesar de tudo, e celebrar a diversidade e a democracia com tanto optimismo e tanto entusiasmo, foi uma experiência fantástica.

Todos sabemos que Obama vai ser rodeado e isolado e pressionado e impossibilitado de implementar reformas de fundo, que os media estão nas mãos dos oligarcas que gerem a ordem mundial, que 80% do país acredita em unicórnios, em deus, ou no Pai Natal, que 70% são criacionistas, que Israel manda em Washington e que há muito que Washington é governado pelos ricos e para os ricos. Mas este optimismo inspira e faz-nos acreditar na natureza humana, como a determinação dos franceses democratas durante o governo de Vichy, que Saint Exupéry descreve tão bem em "Vol de nuit".

:o)