sábado, 22 de novembro de 2008

Obama

Gostava de voltar brevemente à questão do Obama e da 'etnia' dele.

A máquina de propaganda da direita divulgou os 'talking points' das eleições através dos canais do costume e a direita portuguesa leu-os e repetiu-os, como faz sempre, lascarinamente e sem pensar.

A narrativa da direita é que a 'culpa' da 'esquerda' teria feito a América progressista votar em Obama só por causa da cor da pele dele. Desta premissa emanaram as discussões sobre a cor dele e a cor da mãe dele, e a do pai, etc. (estou a excluir deliberadamente desta discussão os anormais que queriam discutir se ele era um terrorista muçulmano)

Mas o que esteve em causa foi a eleição de um homem inteligente, culto e normal, com uma família normal e amigos normais, para substituir um idiota, ex-alcoólico e ex-drogado, que passou 8 anos a conspirar contra a democracia em nome do deus dos alcoólicos anónimos e a entregar o erário público a um grupo de amigos. Mais nada.

A questão da cor da pele de Obama faz muito mais sentido num país profundamete racista como Portugal, que se recusa a discutir o esclavagismo e a brutalidade do colonialismo, do que aqui, onde a escravatura e o racismo são discutidos e estudados nas universidades e há políticas de quotas que asseguram que a paisagem humana seja incomparavelmente mais diversa do que na Europa.

Irrita-me um bocado que os europeus (que invadiram e esventraram a Africa, e lhe venderam os habitantes aos americanos e aos brasileiros) passem a vida a falar da América como se a América fosse mais racista do que a Europa.