segunda-feira, 29 de setembro de 2008

the story so far

«[...] "[A] desregulação tem sido parte do credo do público e do sector cidadão" desde a presidência de Ronald Reagan (1981-1989). Durante o governo Bush, o hoje ex-presidente da Reserva Federal, Alan Greenspan, lançou "ondas de finanças predadoras" no mercado imobiliário, no que foi acompanhado do principal assessor económico do candidato presidencial republicano John McCain, Phil Gramm, "e pelos auto-denominados reguladores que sistematicamente subverteram o interesse público", acrescentou Galbraith.

Reagan gostava de ilustrar a sua política desreguladora com a frase "o governo não é a solução, mas sim o problema". O ex-presidente, falecido em 2004, eliminou os controles governamentais sobre uma ampla gama de instituições e instrumentos financeiros, em consonância com a sua fé no livre mercado, compartilhada pela maioria de seus correligionários no Partido Republicano.

A aprovação, em 1999, da Lei de Modernização de Serviços Financeiros, proposta pelos legisladores republicanos Phil Gramm e Jim Leach, eliminou controles financeiros impostos desde os tempos de Franklin Delano Roosevelt (1933-1945), o presidente que pôs fim à crise de 1929. Roosevelt proibiu a fusão entre empresas do sector bancário, de intermediação financeira e de seguros. O Serviço de Investigações do Congresso legislativo desaprovou os projectos desreguladores. Apesar disso, a maioria republicana conseguiu impô-los em 1999. Menos de dez anos depois, as consequências estão aí. A maioria dos analistas resiste em fazer prognósticos para o futuro, mas concordam que a turbulência e as tragédias familiares continuarão no médio prazo. [...]»


(Esquerda.Net --- 22-Set-2008)

«[...] Primeiro passo: o crédito serve aos actores financeiros para manter o crescimento de uma bolha de todos os tipos de activos, o imobiliário ontem, a Internet anteontem, as matérias-primas e a alimentação amanhã, sem dúvida. A especulação é auto-sustentada, graças às técnicas de titularização.

Segundo passo: depois dos títulos duvidosos serem disseminados pelo mundo inteiro, a bolha rebenta, fundamentalmente porque a finança jamais pode criar a riqueza a partir do nada. Tarde ou cedo, a ficção evapora-se e o sistema bancário e financeiro capitalista fica então incapaz de enfrentar a falta de reembolso das dívidas que detém, e por conseguinte de assumir os seus próprios compromissos.

Terceiro passo: para evitar o efeito dominó de falências bancárias em cascata, a Reserva federal e todos os bancos centrais injectam centenas de milhares de milhões de dólares e de euros nos circuitos financeiros. Isto não chega para travar a crise e o Tesouro americano joga a maior cartada, prometendo comprar todos os títulos financeiros apodrecidos que figuram no balanço dos bancos, sem que se saiba se as famílias americanas expulsas das suas casas conservarão a sua habitação. Como é que o Tesouro público conseguirá isto, sabendo que o orçamento de Estado tem já um défice colossal? Basta pensar: pedindo emprestado nos mercados financeiros. Dito de outra forma, um endividamento privado desmedido, completamente desligado das necessidades da economia real, será pago por um endividamento público. [...]»


(Esquerda.Net --- 27-Set-2008 )