sexta-feira, 18 de maio de 2007

O touro é sagrado (ou é a vaca?)

A minha curta reflexão sobre as touradas provocou um número inusitado de comentários. São tantos («grande tourada»...) que, excepcionalmente, respondo em artigo.
  1. Não gosto de touradas. É um espectáculo que não me agrada e que portanto não frequento. Lá por isso, não tenciono proibi-lo, como não tenciono proibir muitos outros espectáculos de que não gosto. (Esta minha preferência deveria ser irrelevante para o debate, mas alguns dos comentadores não sabem discutir sem pessoalizar.)
  2. A verdade, que alguns dos comentadores parecem ignorar, é que os movimentos «animalistas», para além de serem anti-touradas, defendem também o fim dos jardins zoológicos, dos circos com animais, da experimentação em animais, do uso de peles para vestuário, do foie gras e ainda a libertação das galinhas poedeiras. Quanto ao vegetarianismo, por enquanto limitam-se a recomendá-lo...
  3. Não escrevi que os animais não devem ter «direitos». Notei apenas que não podem ser sujeitos de Direito. Quaisquer «direitos» que se atribuam aos animais não humanos resultam do nosso desejo (legítimo) de nos sentirmos melhor com as nossas acções, e não de qualquer relação de reciprocidade com os animais não humanos que seria absurda (por impossível). Nesse sentido, não me repugna que se ilegalizem determinadas formas de crueldade sobre os animais, mas choca-me que se faça do «bem estar animal» um valor absoluto ou sequer comparável ao bem estar das pessoas.
  4. É um facto que alguns dos movimentos «animalistas» têm o mau gosto de comparar a abolição da escravatura à luta pelos «direitos» dos animais. Também comparam o genocídio de judeus com a morte de animais para alimentação. Em termos humanistas, isto diz tudo sobre o grau de desorientação e alienação de quem perdeu de vista o essencial: o ser humano.
  5. A ala terrorista do movimento animalista (a Frente de Libertação Animal) não se limita a destruir talhos e a incendiar lojas de roupas de pele, mas também se empenha em destruir laboratórios e fábricas, causando milhões de euros em danos. Este grupo já considera normal ameaçar pessoas que fazem experiências científicas com animais. Falta matar alguém em nome dos animais, um passo que os mais extremistas (a Animal Rights Militia) se aproximaram de dar quando enviaram cartas armadilhadas a pessoas que praticam a vivissecção de animais. Quando isso acontecer, tudo ficará mais claro.